quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O PORTEIRO .

Magistratura de influência,
de interferêcia
ou de imprudência . 

Entre a fome 
e a vontade de comer .

Gostei do teu discurso, pá .
Lá falares, falas tu bem .
Num português escorreito, mas cheio de truques .

O que vale é que a memória não é Curta .

Andavam todos à procura do Diabo .
Afinal já chegou, em formato de porteiro .

Vieste abrir, mais uma vez, a porta ao PPD/PSD .
Mas estás muito mal na fotografia .

Entre o Rio e o Santana, 
venha o diabo que tire à sorte .

Longe vai o tempo em que compactuavas com os suicídios in-
ventados pelo Passos Coelho, com as falsas contagens dos mor-
tos e com a aparição do mafarrico .

Coisas da Constança .

Depois apareces a perorar, como se o Costa fosse o inimigo prin-
cipal, numa guerra muito antiga e alimentada pelos teus sócios
e correligionários (Recorde-se que Cavaco e o ministro Barreto 
foramos grandes paladinos da destruição da floresta e os grandes 
aliados na eucaliptização do País, e da desertificação do pinhal 
interior) .

Mais recentemente a ministra Cristas, essa excrescência do CDS, 
ladra agora, pedindo uma moção de censura, mas devia ter feito
essa parvoíce, durante o se reinado como ministra do Ambiente 
e das florestas .

HIPÓCRITA .

Afinal os incendiários de que lado estão ?.

Caríssimo Marcelino :

Já agora,
podias ter alinhavado meia dúzia de palavras sobre os pirómanos,
os profissionais dos fogos, o crime organizado, os lobies das celulo-
ses, a mafia dos madeireiros e os oportunistas das exportações de 
material lenhoso .

Já agora ...
.


.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O DIÁCONO REMÉDIOS .

Da fase Alfa (dos afectos),
à fase Delta ( das descompusturas) .

Marcelo nunca me convenceu .

Acabou o tempo dos sorrisos, das selfies, dos sorrisos e dos
abraços .
A direita rejubila, mas o PR vai pagar caro, por meter o bico
onde não é chamado .

Ou é inocente de todo, ou pior, é ignorante .
Afinal, os apelos à paz e à concórdia, cheiram a bolor .

Já o Affaire de Tancos, onde foi meter o nariz sem ser cha-
mado, e onde semeou ventos e tempestades num copo de água,
acabou por meter os burrinhos na água .

O caso dos fogos é de muito mais gravidade.

Aí vêm ao de cima a sua ignorância e a tão proclamada isenção
e imparcialidade .
Acho que foi mal aconselhado e agora meteu-se numa senda de
trapalhadas,  de que irá arrepender-se mais tarde .

Os negócios de Estado não são para tratar à mesa do café, nem
em conversas em família .

Ao enxovalhar de uma maneira tão grosseira e despropociona-
da,  António Costa e a MAI, Marcelo retoma o apoio descarado 
ao PPD/PSD, e vai destruíro estado de graça, que vinha gozando 
a seu crédito .

Os negócios de Estado devem ser abordados nas reuniões entre o
PR e o PM, e não para lançar o fogo entre os principais protago-
nistas políticos .
.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O ESTADO PÁRIA .

Bem sei que é muito mais empolgante jogar aos monopólios,
comprando e vendendo grandes propriedades, transferir e em-
pochar grandes somas de capitais e papel comercial,

do que esgravatar e arrotear a terra, cultivá-la, semeá-la, co-
lher-lhe os magros proveitos e distribuí-los por toda a gente, 
mesmo que essa terra fosse de quem a trabalha . 

Bonito slogan herdado do século passado .
Mas nem isso acontece .
As propriedades têm dono, mas ninguém parece vir reclamá-las .
Há quem por elas verta o seu suor e o seu sangue .

Falam estes doutores da mula russa, políticos, advogados, perio-
distas e financistas, mas eles de terras não percebem nada .
nunca virame empunharam uma enxada ou um sacho, nunca cons-
truíram um muro, nem regaram couves e alfaces, nem arrancaram
batatas .
É como se os bens agrícolas e florestais não tivessem, nem preço,
 nem custo .
Estão disponíveis para quem os agarrar por tuta e meia, 
e depois por os vender por bom preço nas grandes redes de super-
mercados ligados a grandes empresas internacionais .

Esses novos donos disto tudo deviam ser amarrados a um cabresto, 
presos à nora, e andar com eles a puxar água do poço,  durante uma 
semana . 

Toda esta problemática tem a ver com o abandono das zonas rurais,
o não tratamento das florestas, e com os fogos nas matas portugue-
sas . 

Estou revoltadíssimo .

Já fujo das televisões todas, só ao fim da tarde consigo ver um pouco
deste espectáculo degradante, ver o País a arder impunemente, sem po-
der acudir a tal desgraça colectiva .

Passar vezes sem conta, sem qualquer pudor, o horror espelhado no ros-
to da gente simples da minha Beira, habituada a sofrer quotidianamente
sem protestar .

É a vida .

É o destino .

É a morte disfarçada .

Há gerações e gerações que o Povo foge para bem longe, para as cida
des, para o estrangeiro, para o fim do mundo, para angariar o seu sus-
tento e o das suas famílias .

O seu sonho

era guardar algum provento que sonhava enviar para a Terra, 
e acabar os seus dias no lugar onde nasceu, junto ao pomar e à horta,
revisitando os netos, até um dia poder descansar em Paz .

E tudo o fogo levou

umas vezes porque o clima endoideceu, 
outras vezes porque mão assassina, traiçoeiramente, o desencadeou . 

Portugal evolui muito nas últimas décadas, mas continua sem poder 
resolver os problemas mais vulgares com que a gente simples da maior
parte do território se depara . 

É bonito .

É bué de bom .

Mas será este o progresso a que o meu País aspira .

Ajudar os países estrangeiros a fazerem o trabalho 
que deveria ser feito por nós, na nossa terra?

Tenho sérias dúvidas .
.

A esta dúvida existencial,
vêm somar-se muitas outras causas e razões, que todos, à uma, vêm repetindo
em bicos de pés, almejando cada um subir mais alto do que os outros, como os
galos a fazer cocoricó .

A seguir, começa a cair a chuva .
O Inverno a chegar .

E depois, mudam -se um pouco, 
e tudo fica na mesma .
.

Sou uma pessoa com fortes ligações á Terra, e em cada fogo ardo mais um pou-
co, ao assistir ao espectáculo do País a desaparecer de repente .

Assim que se falou que a chuva poderia fazer o seu aparecimento, logo se multi-
plicou o número de ignições, muitas delas provocada por mãos assassinas .

Já apanharam centenas de pessoas a lançar o fogo, são conduzidas à polícia, e 
são libertadas na hora, provavelmente depois de tomarem um chàzinho e leva-
rem para casa de brinde, um pauzinho ou mesmo uma caixa inteira de fósforos,
amorfos como se diz em linguagem mais técnica .
Vê-se que são pessoas experimentadas e com uma formação pirómana e amigos 
do ambiente .

E todos os anos é a mesma palhaçada ...

Será que não é crime destruir pessoas, cabeças de gado,casas, utensílios de lavou-
ra ?. 

Se são malucos, levem-nos para os hospitais .

Se têm um mínimo de sanidade, ponham-nos na 
cadeia .

.

Mais de cem mortos em 4 meses,
é uma guerra .

Se é um show de televisão, tudo bem  .

Um triste e macabro Reality Show .

Se é de guerra que estamos a tratar,
então temos que nos prepara e treinarmos para um combate, sem
tréguas, e de longa duração .

E, desta vez, não estou a brincar, nem a exagerar ,
.

CRIME E CASTIGO .

Qual o horrendo crime pelo qual fui condenado às galés ?

Crime de sangue ? .
Crime de Morte ? 

Que delito terrível ditou o degredo, e me conduziu às chamas 
do inferno ? 

Que grave ofensa conduziu às trevas, à desgraça, ao esque-
cimento, como se de um reincidente celerado, com penas
antigas e continuadas se tratasse ? .

Afinal é tudo assente em sentimentos falaciosos, uma mistu-
ra de falsas sensações mal assimiladas e até carregadas de 
inseguranças e receios infundados .

Os ferimentos físicos doem, mas tratam-
se no doutor .
Os ferimentos psíquicos e morais, esses sim,
deixam cicatrizes para sempre e magoam 
para toda a vida .

Como é ténue a confiança entre as pessoas,
como é frágil a bondade e o carinho como somos tratados .

Como é efémero este mundo onde nos agitamos,
basta um gesto mal calculado, uma palavra distorcida no con-
texto, e aí surge a tempestade, que irrompe violentamente ás
primeiras rajadas de vento agreste e ao ribombar dos trovões
que iluminam o astro .

Mas. como  na música de Bethoven, depressa tudo acalma e 
recomeça o doce cantar da passarada,

e o sol recomeça a brilhar .
.



sábado, 14 de outubro de 2017

A REFORMA .

Trata-se de uma das palavras mais traiçoeiras do dicionário .

Esta droga da reforma
é uma grandíssima treta
Eu reformo-me, tu reformas-te
e ninguém fica com cheta

Desde que me conheço que ouço falar desta coisa .
A malta fica com os olhos em alvo e debita paleio sobre paleio,
que nada significa, nada interessa e que só serve para enganar 
os incautos e os labregos .
Como se a reforma fosse alguma coisa com alguma substância .

Veja-se o significado do fonema em francês

RETRAITTE,

o que diz bem da importância que ela tem .

Contudo, não existe político que não passe a vida inteira do mila-
gre da Reforma, que jamais apareceu, ou vai aparecer .

Todos estes mixordeiros intelectuais deveriam levar o vocábulo 
mais a certo e após o terem utilizado uma dúzia de vezes, deveriam
ser enviados para o 

REFORMATÓRIO .
.

Da RELIGIÃO .

A religião é um dos temas que me faz muita confusão .
Desde o alvorecer das civilizações que o medo, o mistério
e a dúvida, que os homens, na sua ignorância e impotência,
que os homens se refugiaram no apelo a uma entidade sagra-
da, em quem confiavam piamente até à morte, para tentarem
perceber alguns dos enigmas com que eram atormentados .

Talvez que só mesmo a morte os salvasse definitivamente ou,
pelo menos, ajudasse a suavizar as agruras e os sofrimentos da
humanidade .

Se os homens se portassem devidamente, eram salvos depois 
morte, por uma espécie de amnistia colectiva .
Os maus viveriam para sempre, mergulhados no fogo eterno do
inferno .

Uma história bonita para adormecer as crianças .
.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O JUÍZ DE SÓCRATES .

Há muito tempo que Sócrates foi investigado, 
instruído e julgado, cumprindo pesada pena,
desde o dia em que foi encurralado, à saída do
avião que o trouxe de Paris,
quando Portugal se transformou num autênti-
co Farwest .

Já foi julgado por milhões de portugueses .

Preparam-lhe agora o cadafalso para o enfor-
car, não sem antes o terem exemplamente lapi-
dado .

Que interessa agora qual o senhor juíz que o vai 
julgar outra vez ...

Estado de direito,
ou de direita ?!...
.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

AO INTERVALO .

Os americanos mudam muitas vezes de campo ao intervalo,
quando não mudam várias vezes de equipa e até de árbitro .

Têm regras muito próprias, dão imensa sarrafada, insultam
o árbitro, e até, como acontecia com um colega meu da esco-
la, quando estava chateado ( ele até era o dono da bola e do rel-
vado), agarrava no esférico e fugia com ele para casa .

O puto travesso chama-se agora 
Donald Trump .

Um palhaço imitando um sósia de Charles Chaplin, a fazer de
Hitler, a bricar com o Mundo .

Chegou à Coreia do Norte, todo cagão, com a sua esquadra, por
lá se pavoneia e manda bocas, mas pouco mais  .
Não passa de um charlatão mentiroso, um palhaço de classe in-
ferior, que surge sempre co, a Venezuelam entradas de leão, e de-
saparece com saídas de sendeiro, e com o rabinho entre as pernas .

Ameaça tudo e todos, o México, Porto Rico, o Irão, a Venezuela,
a Nato, a União Europeia, tudo, um governante rasca, uma besta 
numa casa de porcelana chinesa .

E os imbecis deste planeta (a começar pelos idiotas que o escolhe-
ram para presidente), começar a rir menos e a levar este masto-
donte a sério .

É isto a AMÉRICA ...
.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A CHISPA CASTELHANA .

De Castela, 
nem bom vento, nem bom casamento .

A Catalunha continua a cozinhar em lume brando .

Puijmont pegou fogo a toda a Espanha .

Castela ganhou uma batalha, mas está condenada a 
perder a guerra .

Não foi o Reino de Portugal que se separou várias vezes, ao 
longo da sua história, do Reino de Castela .
E fê-lo sempre, contra todas as leis e Constituições emanadas
dos senhores do Império de Espanha .

Com a União Europeia em agonia, sofrendo grandes estocadas
de toda a natureza - uma autêntica auto flagelação, que aurori-
dade moral têm os esbirros de Bruxelas e de Berlim, para apoi-
ar ou rejeitar seja o que for, na pátria de Franco e seus sequa-
zes ?, face à vontade genuína e sempre reiterada de um Povo,
tantas e tantas vezes espoliado, vexado e traído, ao longo de to-
da a sua história .

É espantoso como as antigas (novas) potências imperiais abor-
dam o diferendo entre a Turquia e o Iraque, a propósito do re-
ferendo no Curdistão ...
.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

AS VIAGENS .

Tantas e tantas viagens, sempre o mesmo sentimento de 
insegurança, mas também de aventura . 

Desde a primeira vez que fui para França, fazer o meu grande 
estágio profissional .
Tinhas tu 10 meses de idade, e quando regressávamos, já não
te lembravas de nós . Ficaste com a Avó Rosa, que contava 
que tu quando ouvias passar um avião, levantavas o teu dedito
e dizias vião .

Fui agora numa excursão a Barcelona, revisitar a cidade e em
preito de romagem de saudade, alguns dos lugares que conhe-
cemos, quando os dois passámos duas semanas deambulando
por terras espanholas, nos arredores de Madrid e de Barcelo-
na .

Vimos coisas maravilhosas durante esses dias , o Prado, a Es
tação de Atocha, a Plazza del Sol, o Corte Inglês, a Catedral.
a Praça Maior, os grandes parques, o Palácio Real, Segóvia,
Toledo, o Vale dos Caídos,-o Escurial ..

Tínhas alugado um carro, e fomos até Barcelona, ver a Sagrada
Família, a Pedrera, o Parque Gueli, Monteserrat, os lugares dos
dois Jogos Olímpicos, o Museu Miró e o de Picasso, e o espectacu-
lar Estádio do Barça . ( Chovia que Deus a dava, tiveste que com-
prar um impermeável, mas Deus estava feito com o clube catalão,
pois assim que o jogo começou, acabou a chuva ) .

Voltaste a ver muita muita coisa com os meus olhos, que se vão
embaciando de vez em quando .

Que me importam agora as casas, os museus, os jardins, as Cate-
drais e tudo o resto .
Já nada me impressiona, se compararmos com os dias despreo-
cupados daquele tempo .
É tudo muito bonito, mas mais bonita é a recordação e a saudade
dos momentos felizes então vividos .
.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A CATALUNHA, SEMPRE .

Barcelona é um mundo à parte .

Não conhecia bem a história da cidade . Uma das guias da
viagem, fez gala em contar alguns episódios sofridos nesta
terra diferente de todas as outras , pelo seu passado e pela
sua convivência e modo de vida .

Há mais de um século, já Barcelona era uma metrópole cos-
mopolita, moderna, aberta ao mundo, que respirava arte e 
progresso por todos os poros, encostada desgraçadamente 
num país de jagunços e curas amantes dos ideais da Inqui-
sição, que sempre se julgaram os donos disto tudo .

Há mais de 20 anos, andávamos nós a 
curtir esta Cidade,

o Mário Pedro e eu, deambulando pelas Ramblas, abaixo
e para cima, petiscando e visitando o Mercado, a Catedral,
o Bairro Gótigo e descendo até à estátua de Cólon, desagu-
ando pelo porto, onde íamos tomar a bica e o capuccino, e 
e avistar ao longe, o pequeno teleférico que nos levava até
Montejuic ( o Monte dos Judeus, vim a saber mais tarde) .

Foi uma jornada de felicidade, onde hoje um regresso co-
movido. a um passado sempre presente na minha memória 
e no meuespírito, que agora trilho com grande saudade .
.

sábado, 7 de outubro de 2017

O 7 de OUTUBRO de 1971 .

Corremos de táxi, horas noites dentro, aos tropelões, 
em busca de uma clínica .

Estavas com pressa de chegar .

Tinha-me esquecido dos cigarros, ia cravando aos bombeiros,
quando iam fazer um serviço à Maternidade .

A Mãe ainda veio à recepção para ir buscar roupa, para que 
estivesse bonita, quando surgisses de dentro da barriga dela .
A Avó esperava aflita no banco de madeira do hospital .

O parto foi rápido .

Querias mesmo conhecer o mundo .

Ás 5 e 40, ( já tínhamos ouvido um choro), apareceu na portaria
uma enfermeira que nos informou :

É um menino
e parecido com o pai .
Até tem a covinha no queixo como ele .
.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

PROVÉRBIO .


Atrás de mim virá,
quem de mim, bom fará .
.

O HORROR AO SILÊNCIO .

Por vezes, o silêncio é tão ensurdecedor que até dói, e só o 
ruído o pode sarar .

Cheguei a estar ao pé de dezenas de teares, com as lançadeiras 
a chocar com toda a violência nos batentes, de um lado para o 
outro, e conseguíamos ouvir conversar entre nós, como se esti-
véssemos a contar segredos .

Não fiquei um pouco surto, por passava pouco tempo na fábrica .

Noutras ocasiões, recordo-me das muitas noites que passei pelos
hospitais, noites enormes, sofridas, cheias de insónias, em que me
doía até o tilintar de uma colher ou o arrastar  dos pés, perturban-
do o descanso a que tinha direito .

Se a esse silêncio se juntasse a escuridão da noite, consegue com-
preender-se o horror da estadia prolongada numa enfermaria de 
hospital .

É uma libertação, quando a luz do dia vem devagar penetrar na 
jane-la do quarto,e se começa a ouvir o barulho das conversas 
apressadas e o ronco do aspirador, marrando ao acaso nas pare-
des do quarto .

Só então engatamos no sono profundo, 
mas logo depois começa a distribuição dos comprimidos e começa
a sentir-se o cheiro da manteiga e do pão torrado .

Escapámos mais uma noite ao horror do silêncio .
.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

AS MARAVILHAS DA NATUREZA .

Juntei os cromos das Maravilhas da Natureza, mas nem sequer 
cheguei acabar a colecção .
Ainda hoje guardo numa caixinha uma boa parte deles .
Desconheço a razão porque nunca levei a colecção até ao fim .

Foi a minha primeira janela aberta para 
o mundo da Arte .

Isso, e os santinhos que a minha família me dava, na esperança
de eu ser um menino bem comportado e frequentasse a Igreja .

Mais tarde, com a leitura das obras de Ferreira de Castro, a Vol-
ao Mundo e as Maravilhas da Arte, conseguia imaginar coisas fan-
tásticas, que me enchiam o espírito e me faziam sonhar acordado .

Talvez que esse facto tivesse contribuído para construir um mun-
do diferente, construído sobre castelos de areia . 

Algumas dessas Maravilhas viria a vê-las ao vivo e em tamanho
natural, mas a maioria repousa somente na minha memória .

Na minha terra natal, havia algumas coisas que me fascinaram 
toda a vida, a Cabeça da Velha, os Cântaros do Planalto Central
E todo o Vale Geológico do rio Zêzere, que ainda hoje visito exta-
siado e com muita emoção .


Recentemente fui passear á Espanha, na região de Huelva,
e tive a oportunidade de visitar as grutas de Aracena .
Fiquei esmagado com a beleza contida nas inúmeras galerias que
as integram, umas em forma de Catedrais, de Lagos extraordiná-
rios, formas e volumes, côres e estruturas inimagínáveis, forma-
das ao longo de muitos séculos . 
A última gruta é sobre o corpo humano, uma coisa de estarrecer .

O meu grande espanto é ver que dois objectos formados há mil-
hões de anos, um esculpido por células vivas e que constitui uma 
parte muito importante do corpo humano e uma outra, réplica, 
em tudo semelhante, formada pelo escorrimento de águas cal-
cáreas .

Mistério insondável .
.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

O NOVELO DA VIDA .

Quando era miúdo, uma das minhas tias cravava-me para
desenriçar e dobar as meadas de lã, com que fazia os seus
trabalhos de malha .

Por vezes era difícil encontrar a ponta certa para enrolar o
novelo . Ainda por cima apareciam sempre várias pontas, e
saber qual era a principal ...
O trabalho seguia devagar, pontuado por falsas pistas, e ia 
caminhando mais depressa, à medida que o novelo se apro-
ximava do fim .

Era então que tinha que passar para outra meada  .

Assim estou eu ...

Procuro desesperadamente o fio à meada, para encontrar o
sinuoso caminho da vida .
Esbarro constantemente com as portas fechadas, mas eu vou
chegar lá. Aos soluços, com paciência e determinação, eu vou
conseguir .

Hei-de encontrar o caminho certo .

Vou por aqui ?
Vou por além ?

Uma coisa é certa, 
como dizia o poeta :

Só sei que não irei por aí ...
.
.




segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O (RE)NASCIMENTO DA CATALUNHA .

Assisti ontem a um dos eventos políticos mais espantosos da
política (O 25 de Abril, de 1974, foi certamente o máximo ) .

Passou-se na Catalunha .

Estava programado o Referendo para este país, que faz par-
te da Espanha, e que iria decidir se se queria pedir a autono-
mia  da Catalunha, consumando a separação do do Império 
Espanhol,  sob a forma de República .

As autoridades de Castela fizeram tudo, o possível e o impos-
sível, o legal e o ilegal, o razoável e o absurdo, para evitar a 
todo o curso, a consulta às urnas .

Enviaram uma destacamento de 15000 guardas, estacionados 
no Porto de Barcelona .

Em contrapartida, foram inteligentes e comoventes muitas das 
acções promovidas pelos catalães, para evitar qualquer inciden-
te que pudesse toldar o clima pacífico  das manifestações e das 
acções tendentes a permitir o voto livre dos cidadãos .

Cito duas delas :

A população ocupou as escolas e os centros cívicos de Barcelo-
na, durante dois dias, incluindo crianças, para evitar o assalto 
das tropas espanholas às mesas e ao boletins de voto, o que foi,
em parte conseguido .

Os Mossos  de Esquadra, a polícia local, desobedeceu ao Co-
mando de Madrid, e pôs-se ao lado da população civil, contra 
a Guardia Civil .

.


A CERIMÓNIA FÚNEBRE .

Após doença prolongada,
faleceu ontem, o Partido PPD/PSD, depois de
dois anos de grandes complicações .

Esteve várias vezes para ser objecto de morte 
assistida, mas acabou por morrer em casa .

O enterro realiza-se amanhã, com o cortejo a 
sair de São Caetano à Lapa, e dirigir-se ao Ce-
mitério dos Prazeres .

A cerimónia está a cargo do Bispo da Silva, com a pre-
sença  do Diácono Coelho e o sacristão Mendes .

PAZ à sua Alma .
.

sábado, 30 de setembro de 2017

A QUESTÃO CATALÃ .

De Espanha, 
nem bom vento,
nem bom casamento .


A História tem avançado quase sempre, através de roturas 
e alteração das fronteiras .

Porque seria diferente com o caso da Nação Catalã ? .

Numa Europa dilacerada, à mercê de novas hordas de bárba-
ros, sem rumo e sem leme, completamente à deriva, é doloroso
assistir à enorme hipocrisia, com que uns quantos enchem a bo-
ca com a unidades de um país, colado aos bocados e várias ve-
zes esquartejado ao longo da História, à custa do sangue e da 
barbárie, levada a cabo pelo insaciável predador que é, e sem-
pre foi, o Reino de Castela, sempre desprezando os povos con-
quistados .

Não posso prever o que irá passar-se 
amanhã,
mas o mapa da Europa, nunca mais será 
o mesmo 

.



quinta-feira, 28 de setembro de 2017

O RETRATO ..

A palavra é uma arma
de cidadania
tudo depende da força
e da pontaria 

Na minha família, era usual reinar o silêncio, com 4 irmãos
com idades próximas umas das outras, mas muito diferentes
no temperamento e no carácter, comia-se sem falar, sem ou-
sar emitir uma opinião ou uma crítica, a menos que alguém 
fosse directamente questionado .

Era quase sempre eu quem quebrava o gelo .
Conseguia dialogar com o meu Pai, embora fosse eu o mais 
atrevido e belicoso dos irmãos .

Era eu quem fazia uma boa parte das despesas da conversa à 
mesa . Os outros limitavam-se a ouvir .
Claro que isso me trazia problemas sem conta .

O meu Pai, que havia subido a pulso todos os degraus da corda
da Vida, e tivesse adquirido uma enorme cultura  prática,
muitas vezes se chocava com a natureza curricular de algumas 
matérias . 
Gostava muito de se exprimir e de se questionar .

Sempre me expus de peito aberto às balas .

Quando o erro imperava à minha volta, lá entrava eu na compita .
Era um dos meus mais fracos . Era golpeado vezes sem conta, ou
pelos incapazes, pelos mesquinhos, quando não pelos mais cobar-
des .

Fiquei sempre com o estigma de refilão e de gostar de uma bela
pelea, uma boa controvérsia e de uma acesa discussão .

Assim ganhei o hábito de questionar tudo e todos e rejeitar os açai-
mes que sempre quiseram impor-me .
Toda a minha vida foi sempre mosqueada , em todas as circunstân-
cias, com o que julgava ser o erro, a mentira, a prepotência, o calcu-
lismo e o silêncio .

Não gostam de mim porque sou leal, verdadeiro, directo e justo, e dar
a cara quando e sempre que for preciso, ainda que isso me curte a indi-
ferença, o medo e problemas de toda a ordem .

Habituei-me a viver com isso .

Não sou feliz, mas vivo em paz com a minha consciência . 

.