domingo, 20 de agosto de 2017

Os Deuses do Fogo e da Loucura .

Os outros deuses desapareceram e a Terra arde sem parar,
para castigo dos humanos .

Sedento de sangue e de morte, o fogo arrasa tudo à sua pas-
sagem, e as árvores morrem de podres e esmagam os peregri-
nos inocentes .

A besta americana clama em apoio da KKK e dos nazis, se-
meando o ódio e o horror,  do outro lado do Atlântico .

Os amantes da guerra nuclear brincam ao Holocausto final,
como se estivessem a soprar pequenas bolas de  sabão, reben-
tando-as com um tlique .

Q fogo chegou à minha Terra, à minha Porta, à Covilhã e ao Tor-
tosendo, à Varanda dos Carcajais e ao Casal da Serra, bem per-
to da nossa Casa .

Tenho vontade de apagar o So,l nem que seja por algum tem-
po, para aliviar um pouco que seja, a sede de bem estar e de Paz,
por que tanto ambicionamos .
.

O Planeta Terra está agora muito zangado, e exige severos castigos
a uma sociedade agreste, corrupta, ferida, desregulada quase mo-
ribunda, farta de sofrer maus tratos sem fim .
.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

CRIATIVIDADE .

Curioso título vertido num artigo do DN, 
acerca das minas de sal, de Rio Maior :

SAL:

UMA INDÚSTRIA QUE CONSERVA

OS TRABALHADORES 

E DÁ TEMPERO AO PAÍS .
.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O BLITZKRIEG .

Os quatro cavaleiros do Apocalipse :

O Fogo, a Fome, a Peste 
e a Guerra .

É muito difícil entender o que se passa à nossa volta, no
que diz respeito à catástrofe dos fogos florestais, repetida 
todos os anos, pelas férias grandes dos burgueses, sentados 
à beira mar, molhando os pés e mijando na água, para ali-
viar a bexiga .

Comendo sorvetes e bolas de Berlim, e chavascando nos 
restaurantes mais in, chupando patas da lagosta ou lava-
gante .
Bebem uns copos para aliviar a tensão, bailam até ao nascer
o sol, embriagados pela sensação do dever cumprido .

Que importa o que vai lá fora .
Deixa arder, que o meu pai é bombeiro .

A cair de bêbados, nem sequer vêem os telejornais, que o mun-
do está cheio de desgraças, e quando vêem, pensam que é ape-
nas um filme de actualidades, lá no Norte ou, quem sabe, no es-
trangeiro .

As autoridades, que diabo, também têm direito a gozar as suas
férias .

Não é nada com eles .

Em Setembro, logo se verá ... 

De que servirá Portugal ser um País muito avançado em novas
tecnologias, com uma grande percentagem de cérebros, desco-
brindo cada vez mais as tecnologias da informação e outras ma-
ravilhas da técnica e da tecnologia, ofuscando o mundo com coi-
sas maravilhosas, se depois, 

o País arde, arde sem parar, reduzindo a 
cinzas 

o património humano, o edificado, a vida toda de uma já redu-
zida população, em vias de extinção, desiludida e sem futuro .

Afinal, para que servem os nossos doutores e engenheiros, a fina 
flôr nos nossos emigrantes da ciência, que gastaram o dinheiro
numa esmerada educação, e agora não querem dar uma mão
para ajudar a refazer de novo, o nosso triste e apagado Portugal .

Os portugueses agradecem ...
.





domingo, 13 de agosto de 2017

A (desCONFIANÇA)

A dúvida sistemática .

Um sujeito entrou a correr num café cumprimentou
os presentes com um 

OLÁ, BOM DIA ;

Traga-me uma, se faz favor .

O empregado, intrigado,  olhou de lado, e pensou lá
com os seus botões :

Olá, bom dia,
olá, bom dia,

Mas que será que o tipo quer dizer com aquela frase ...
.



sexta-feira, 11 de agosto de 2017

PORTUGAL AINDA ESTÁ A ARDER ?.

Pobre do meu País ...

Um País é o seu Território,
e o Povo que o habita .

É a Língua e a História por ela 
contada .

São os seus Recursos, a Terra 
e o Mar .

A sua Paisagem, o Mar e as 
Montanhas .

As suas Conquistas e os seus 
Descobrimentos .

Os seus Antepassados e a sua 
Cultura .

Portugal sempre foi uma terra madrasta, 
uma quinta tomada por estrangeiros, 
explorada até ao tutano, escravizada de sol a sol,
habituada a entregar, de mão beijada, os parcos 
proventos colhidos com tamanha voracidade, por 
uns quantos, em detrimento de todos os outros .

Sujeito à rapina e ao saque, terra devorada im-
punemente pelo fogo e pela ganância, entregue à 
escravidão de gente habituada ao lucro fácil e des-
truída pela maldade de uns quantos  loucos .

Portugal continua a arder,
ou já ardeu de vez .
.


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

À BOLEIA DE CAMÕES .

...E no entanto.

tudo vale a pena, 
se a alma não é pequena .

Mas a alma tem vindo a minguar, a olhos vistos .
Vertiginosamente .

Os poucos sonhos que alimentava, vão-se esvaziando
em pó e em nada .
Já me falta o tónus umbilical que controlava a minha vida .
Cada vez mais, é o vazio a apoderar-me da minha carcaça .

Até o que penso é esmiuçado até ao osso, sem dó, nem pie-
dade .

Estou cada vez mais cercado,
 e o Agosto tão longo, foi abrasador e devastador .

Para resistir,
recomecei a fazer bonecos,
expondo o absurdo e o horror,
 do que já levo mais de um mês a encaixar-

Os incêndios florestais .
.



sábado, 5 de agosto de 2017

A CADEIA ALIMENTAR .

Cada um come o que quer,
os outros comem o que podem .

Há peixes finos, os mais apreciados, são descabeçados, 
tiram-lhe as tripas, bem lavados, sacam as espinhas, e
vão ao forno para assar, bem temperados e bem apala-
ladados .

São os peixes do alto, servidos em baixela de prata .

Há depois os peixes azúis, que ultimamente têm vindo a 
subir na escala hierárquica da peixeirada  - Sardinha, 
cavala, peixe espada, peixes classe média, servidos em tal
heres inox, e dizem que fazem bem à saúde .

Seguem o peixe miúdo, petingas, sardas, carapaus, enxar-
rocos, que matama fome à gente mais humilde, quando ain-
da há gente e peixe, que vão rareando cada vez mais .

Usam facas e garfos de plástico .

No fim da cadeia (cadeia, albergue onde são metidos aque-
les que roubam um papo seco ou uma maçã ), e esses pas-
sam o tempo a esgravatar no lixo, em busca de algum resto
de comida para saciar a fome .

E no topo da cadeia alimentar, há os poeixões, que se distrai-
em a devorar os outros peixes, sem qualquer restrição .

Esses são 

os TUMPARÕES

os TEMERÕES

os PUTINÕES

e os MERKELÕES .
.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A PEIXEIRADA .

Cada um vê o que quer,
ou o que o deixam ver .

Tão longe de Deus
e tão perto dos Estados Unidos .

Democracia à la Carte .

A vaca com óculos verdes .

Cada cor, seu paladar .

La vie en rose .

A lixeira nas traseiras da América .

A América Latrina .

Trump, o palhaço global .

Trump muda mais vezes de governantes,
do que muda de cuecas .

Temer, um bandido de temer .

A UE Já ardeu ?...

E a Síria ?...

.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

ADIVINHA .

Se, por acaso, tivesses que pedir a alguém que te  
ajudasse a apanhar uma moeda de 10 euros, que 
tivesses deixado cair no chão, quem é que era ca-
paz de te ajudar a encontrá-la mais depressa e a 
devolvê--ta, sem hesitar :

A Trump,

a Temer

ou a Maduro ?.

Assim se avalia a Democracia ...
.




quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O ELOGIO DO ÓCIO .

Que bom é ter um dever,
e não o cumprir .

Fernando Pessoa

Quando eu tinha mais vagar, muito gostava de ver os 
outros a trabalhar, e eu sentado para ali, horas a fio, 
como se estivesse a ver um filme real .
Chegava a faltar às aulas para me deliciar com tão inu-
sitado espectáculo, e completamente de borla .

Muito gostava de ir para o areeiro, nas traseiras da 2ª.
Circular, em construção, ver o gigantesco buraco, uma 
coisa digna de ser vista, onde os homens, quais formigas,
iam deitando a areia para o fundo, sempre em risco de
serem eles a cair no abismo .

Era esse o filme que passava nessa cratera, junto ao Pote
de Água . O lugar deve ter sido completamente arrasado .

Depois, assisti àquilo que eu chamo as 

Obras do Século :

O rasgar da Av João XXI, dos dois lados .
De um dos lados, desmantelando a enorme Fábrica de Ce-
râmica, abrindo caminho para os lados do Campo Peque-
no . e depois, rasgando a montanha, do lado da Av. Gago
Coutinho .
Meses após meses, centenas de camiões faziam uma bicha 
contínua, durante todo o dia, carregando terra e entulho, 
não sei para onde .

Morava mesmo sítio, e já estava viciado nas obras .
Todos os meus ócios, acorria a deliciar-me com aquela
barafunda, e aquilo nunca mais tinha fim .

Lisboa tinha-se expandido para outro lado e criado novos 
Bairros - Chelas, Olaias, Bela Vista, Relógio, e por aí fora .
.



terça-feira, 1 de agosto de 2017

A APRENDIZAGEM .

Andando, faz-se o caminho .

Quando comecei a frequentar as fábricas com mais 
assiduidade, em especial as tecelagens, que faziam
um barulho infernal, ficava completamente surdo .

Para meu espanto, os operários falavam uns com os 
outros, nas calmas, como se estivessem na rua .
Com o andar do tempo, fui aprendendo que o ouvido
humano se vai habituando a certas frequências e as
pessoas ficam parcialmente surdas . Deixam de ouvir 
as pancadas dos teares .

Outra coisa que a princípio ma fazia muita confusão
era as pessoas conversarem umas com as outras, sobre
todas as matérias, mas nunca pronunciavam certas pa-
lavras . 
Era uma espécie de conversa cifrada .

Usavam-se nomes e frases sem sentido directo, mas toda 
a gente percebia o significado e a ideia que estavam sub-
jacentes .

Era uma espécie de medida cautelar, usada gerações
após gerações, com toda a naturalidade, não fosse alguma
palavra perigosa escorrer para ouvidos inadequados .

Levei algum tempo a entrar naquele jogo .

Ainda hoje tenho o hábito de falar nas entrelinhas, ou usar e
abusar dos trocadilhos .

Outro truque que se usava nestas terras proscritas, era ter sem-
pre a televisão ligada, mas sem som .
Só se ligava o som, se eventualmente aparecesse um programa 
de interesse .
Deste modo, poupava-se a conversa vazia dos noticiários e dos
comentários políticos .

A coisa era mais acentuada no Tortosendo, terra operária por
excelência, onde as mulheres só saíam à rua, para ir para o 
trabalho . 
E os homens tinham que se deitar cedinho, pois pela
manhã eram acordados por uma bateria de sirénes para os en-
caminhar para as fábricas .
.
.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

HUMBERTO DELGADO .

Salazar :

Se eu ganhar as eleições,
demito-o imediatamente .

O meu pai tinha-me avisado paranão ir para os lados do
Pelourinho, pois a Pide tinha instalado metralhadoras
na Câmara Municipal e no Montalto .

A malta tinha feito greve, até muitos professores que 
eram do Revilhalho,  acudiram ao centro da Cidade pa-
ra ver o Comício .

Humberto Delgado havia pertencido à situação, dele di-
vergindo fortemente,  pois Salazar era como um eucali-
pto, secava tudo à sua volta .

Ficamos no pátio da Escola a ver os carros a passar, 
vindos do Fundão. A bicha dos caros via-se do Souto Alto,
a meio caminho para a Covilhã .
E nunca mais parava .

Foi aí que acabou a farsa da eleições . 
O ditador acabou com elas, pura e simplesmente .

A seguir às eleições de 58, seguiu-se uma onda de violência
a todos os níveis, com prisões e torturas, e com o sanea-
mento de centenas ou milhares de pessoas, presumíveis 
adversários do salazarismo .

Não me falem da Venezuela, por favor ...

Tivemos  por cá, 
e não foi há muito tempo, muitas palhaçadas destas .

Em vez de andarem para aí a brincar ás democracias, melhor
faziam que recordassem os nossos problemas nacionais, e de-
les soubessem tirar as lições do passado .

Que diabo, custava tão pouco .
.

domingo, 30 de julho de 2017

Uma questão de Vocação .

A mesma água nunca passa duas vezes 
por baixo da mesma ponte .

Talvez que até pudesse ter sido um reputado artista musical,
sabe-se lá ...
... Mas a minha vida não me deixou .

Oriundo de famílias com forte formação musical, quer do la-
do do meu Pai, quer do lado da minha Mãe, tudo parecia en-
caminha-se para vir a atacar um instrumento .
Jeito e aptidões não me faltavam .

O meu Pai, com 10 anos, era já o primeiro clarinete na banda
de Seia. 
Das cinco raparigas, num rancho de sete filhos, que o meu avô 
Miranda teve do seu terceiro casamento, todas elas cantavam 
Côro da Igreja Matriz, onde a minha Mãe era a solista principal .

Mas a música, para lá do talento pessoal, requer outras atribui-
ções, como treino, disciplina, técnica , dedicação e muitas outras,
se se pretende atingir um grau de performance superior .

Ora eu possuía tudo isso, mas em sentido contrário .

Nunca poderia pois, vir a ser músico .

O meu destino poderia muito bem ser o desenho ou a pintura, mas
afinal também não viria a ser concretizado .

A minha natureza rebelde, individualista, quase anarquista eram
mais a jeito das artes plásticas, mas também isso se esboroou nas
núvens da fantasia .
.

sábado, 29 de julho de 2017

A ARTE E AS CRIANÇAS .

Num museu onde estavam expostos alguns trabalhos
de Picasso, um deles representava um tela em branco .
Questionado o pintor, uma das crianças presentes per
guntou-lhe o significado do quadro :

- É uma vaca a comer erva 

- Mas eu não vejo, nem a vaca, nem a erva ?

- É simples, disse o artista, 

  a vaca comeu a erva toda, e depois de a comer, foi-se 
  embora ...

.

Uma história parecida é atribuída a Salvador Dali,
mostra-se uma tela gigante, apenas com um traço e
um ponto .

Perguntavam as pessoas o que é que isso queira dizer .
E diz o Vate :

Muito simples, 

O Ponto é o Tótó, 

o traço é a Sofia Loren .

.

Parecem conversas parvas, mas não tanto como se pode pensar .
A grande maioria das obras de arte não têm nada para contar, à
excepção das telas de cariz nitidamente figurativo, e mesmo essas
quase sempre carregadas de complexo simbolismo .

Muitos artistas preferem dar um título parvo aos seus trabalhos,
ou pura e simplesmente numerá-las por uma ordem lógica ou com-
pletamente arbitrária .

São uns brincalhões, 
estes artistas . 
.

A CENTRAL A BIOMASSA A CÉU ABERTO .

Os governantes são burros, não aprendem as lições e não
fazem os trabalhos de casa .

Não sei, ninguém sabe, se a central a biomassa, em Mortá-
gua, se a memória me não falha, mas era preciso semear 
uma dúzia dessas centrais, pelo pinhal interior adentro .

É que o barato, às vezes sai tragicamente caro de mais .

Só existem ecologistas para se ocupar de problemas de 
lana caprina .
Para ajudar a lutar contra as graves questões ambientais 
que assolam o nosso País, assobiam para o lado, e fazem como
o Costa, tiram umas fèriazitas a preceito .

Portugal que se lixe ...
.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

O ANNUS HORRIBILIS DO COSTA .

Que mais me irá acontecer,

O que vai ser de mim .

Estava o Costa naquele remanso, pronto para limpar as
autárquicas, e quiçá já a sonhar com uma maioria absoluta,
eis quando o caldo se entornou .

Acontece até que o Costa já havia sido Ministro da Adminis-
tração Interna, e portanto, deveria saber da poda .

Foi aí que cometeu o primeiro pecado 
mortal,

ao  ter esquecido que em Portugal, existe uma coisa que não 
é levada muito a sério, mas de uma importância vital para o 
nosso País, que é a chatice dos fogos florestais .

Mas que grande chatice ...

E logo ele, que até tinha já marcado as férias para aquela al-
tura .
E pior, nem chegou a aperceber-se da gravidade da situação,
como se não estivesse mesmo a ver, a tormenta que se apro-
ximava .
Foi a banhos e deixou a amiga Constança de serviço .

Só que os fogos não são brincadeiras de meninas, mas partidas 
puras e duras para homens de barba rija .

Para quê deixar uma senhora, por mais respeitável que seja, 
e mesmo que seja da mais alta competência, brincar às casinhas,
sem nunca ter treinado convenientemente um jogo tão arriscado .

E foi esse o segundo pecado mortal
do Costa .
.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

A GRANDE CALAMIDADE .

O País está virado de pernas  para o ar .
Em vez de se ter começado pelos alicerces, tem-se 
aprimorado nos acabamentos de luxo .

Um exemplo gritante diz respeito ao Sistema SIRESP, que 
deve ria assentar numa rede sólida, exequível, robusta, utilizan-
do cabos fixos, enterrados no solo, ao abrigo das condições
atmosféricas,  a salvo do calor do vento e do imprevisto alea-
tório e, não andar a passear-se ao acaso, como se se tratasse de
um verdadeiro catavento .

É evidente, que quando usado em condições adversas reais, me-
teorológicas,  geológicas e florestais, entre outras, o sistema cola-
psou .

É o que se chama correr arás do prejuízo .

Quem desenhou o sistema, quem o aferiu, quem o testou, quem 
o reviu, quem lhe acrescentou melhorias, quem lhe forneceu al-
ternativas ?!...

Acresce que parece que o equipamento não suporta condições ex-
tremas, como as que se verificaram este Verão .

O que acontece é que os fogos florestais e a sua previsão e comba-
te, não são feitos por gente formada à pressa, acreditando  no acaso
e na sorte, mas sim gente fortemente experimentada e com a cabeça
fria .

A calamidade a que estamos a observar em directo, não surgiu por
geração, expontânea, mas é o somatório de décadas de erros e e teo-
rias e prácticas desgraçadamente multiplicados ad infinitum .

O resultado está à vista,

e a culpa continua a ficar solteira .

.



quarta-feira, 26 de julho de 2017

O FOGO JÁ CHEGOU À CIDADE .

O País está a arder .

Todo a arder. Sem descanso .

Quanto do PIB já foi comido durante 
esta época balnear .

Ou será isso não não interessa aos tecnocratas e burocratas
deste país desgraçado ?.

Drama terrível, todos os anos renovado .

Gente em cinzas, cinzas que se confundem com as da floresta 
martirizada, floresta transformada em pó negro .

Vem-me à ideia o pensamento do sociólogo brasileiro, que tra-
tou o Ciclo da Fome, JOSÉ de CASTRO, em que os homens de-
voravam os caranguejos, e estes acabavam por comer a vida 
dos homens .

Tu és pó, e em pó te irás transformar .

É criminosa a contabilidade criminosa usada na exploração da
morte, da desgraça e da miséria, com que os cristãos do CDS, 
vêm utilizando desrespeitosamente as pobres vítimas de uma ca-
lamidade que vem assolando a nossa terra .

Como é criminosa a ligeireza com que foi abordado o Projecto de
Le, acerca o Banco de Terras . É a favor da sacrossanta proprie-
dade privada . O que pode esta pureza ideológica, face à ganân-
cia do voto dito popular ...

Hipócritas .
.

terça-feira, 25 de julho de 2017

VIDA DUPLA .

Esquizofrenizado 
entre dois mundos antagónicos .

Aprisionado entre dois estudos, 
mal tinha tempo de me coçar .

Percorria a cidade de cima a baixo, sempre a correr, para conseguir
algum tempo para os meus afazeres, para os meus alfinetes .
Havia sempre ocasiões para inventar um ou outro divertimento .

Praticava todos os desportos, em especial o Futebol, jogava bilhar,
e à noite, por vezes, após a Escola, jogava hóquei em patins, 
mas era no fim de semana que me sobrava tempo para ir sobrevi-
vendo .

E havia as férias, pachorrentas, imensas, chatas como tudo, e então
passeava, lia muito, e arrastava o rabo por aí, a caminho da Estação
dos Caminhos de Ferro, dávamos um salto ao Rio Corja, a fingir que 
tomávamos banho, que o rio ia seco, durante quase todo o ano.
Ou vínhamos pela linha do combóio, atravessando a cidade, vencendo 
as pontes perigosas, que ligavam os vales profundos .

Ou então, vagabundeávamos a esmo, e discutíamos tudo e mais algu-
ma coisa, com opiniões muito diversas e quase sempre antagónicas .

Vivia muito distante dos meus irmãos, com interesses muito diferentes,
e todos com uma vida mais certinha do que a minha.
o mais velho tinha ido estudar para a Guarda .
Os mais novos, crianças ainda, estudavam música e tocavam-na quase
diariamente .

Sempre tive apetência para a actividade musical, mas a vida de transu-
mãncia lectiva, e depois a Escola Nocturna, depressa me fizeram passar
sem ela . 
Tocava acordeão às escondidas, pois tinha um ouvido privilegiado, mas
nunca soube a parte teórica da coisa .

Depois, estava era desejoso de voltar à Escola .
.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

A LUTA DE CLASSES .

Quem é que disse 
que não havia luta de classes .

Dos sítios por onde andei, nunca senti a violência calada da
luta de classes, como no Tortosendo e na Covilhã, meios fa-
bris dos lanifícios .
Confesso que também nunca foi tão rude o ódio e o asco às
classes possidentes, cujas famílias exibiam vários automó-
veis por família, e um desprezo total pelos trabalhadores . 

Houve uma época, muito curta, por sinal, a era dos Cursilhos
da Cristandade, em que todos eram irmãos em Cristo, e se tra-
tavam todos por tu, operários e patrões, as cenas ridículas a 
que eu assisti, nessa altura .

Tudo acabou, em menos de um fósforo .

O café mais importante da Covilhã era o Café Montalto, ponto 
de encontro das classes sociais mais consideradas, onde não en
travam o eram operários e estudantes .

A segregação era de tal monta, que as mesas estavam marcadas,
de acordo com as profissões - havia a mesa dos industriais, dos dou-
tores, dos professores, dos bancários, e por aí adiante .

De vez em quando, saíamos em bando do Colégio, e vínhamos pou-
sar, um ou dois por cada mesa, antes da hora do almoço .
Pedíamos uma bica e ninguém para aviar, e assim ficávamos a fazer
fincapé, até nos serviam a contragosto, pois que se aproximava a 
hora de suas excelências .

Havia outras malandrices que praticávamos, tínhamos ritos e cos-
tumes que levávamos à séria .

Por exemplo, era obrigatório fintar os polícias, e atravessar as ruas
fora das passadeiras .

Vem este paleio a propósito da Escola da Noite, em que no primeiro
se criaram dois grupos distintos, 
de um lado, os filhos dos industriais, o Saraiva, o Carrilho, o Lobo, 
o Gíria e o Proença . 
Do outro, os verdadeiros trabalhadores-estudantes, oriundos das clas-
ses com menos posses - o Paixão, o Cunha, o Raúl Peixeiro e eu, que 
era estudante-estudante .

E assim coabitamos durante todo o curso de Debuxador .
.